DESABAFO DE UM DIRIGENTE

22/01/2013 21:50

 

É com tristeza que recebo alguns emails e verifico algumas publicações nas redes sociais de dirigentes de federações da nossa religião, que deveriam representar-nos guerreando entre sí e em um completo jogo de vaidade, pelo simples fato de que a festa de Yemanjá de “fulano de tal” teve mais repercussão que a festa de Yemanjá de “sicrano de tal”.  Precisamos nos manter atentos a estas pessoas que desta forma, denegrindo a imagem uma da outra, fere o principio maior delas existirem, a UMBANDA tendo como um único motivo o  “PODER” material e financeiro. Infelizmente nossa amada mãe Yemanjá e os Sagrados Orixás assistem a isso tudo.

 

Somos uma religião naturalista, que aceita as diferenças, que não opõem-se em atender quem quer que seja, inclusive os nossos opositores, que tem no seu maior templo a natureza de Nosso Pai Olorum.

Como toda religião o que a estraga é a mão do homem, que se entende acima do bem e do mal, único detentor da verdade, que não respeita as tradições, que não respeita a hierarquia, que não tem historia, que não tem família espiritual, que enxerga na religião apenas uma forma de ter “sucesso”, de “ganhar dinheiro”, de dizer “eu sou o cara da religião”, “eu apareci no programa da fulana de tal”, eu , eu, eu, sempre eu..... E a Umbanda em sua vida, entra aonde?

 

Infelizmente ninguém consegue entender que quando um sacerdote de qualquer religião aparece na mídia, seja ela televisiva, jornalística, redes sociais, etc.... ele representa a religião em um todo e não apenas ele, ou a Federação que ele é presidente.

 

Quando estes ignorantes irão entender que esta guerra entre federações, que esta briguinha de vaidade, que este pensamento único  e exclusivista mais atrapalha que ajuda a nossa religião?

 

Pudemos ver e sentir isso nas ultimas eleições onde os candidatos que se diziam espiritualistas, espiritas, do axé, etc.... não conseguiram o mínimo possível para elegerem-se em uma cidade onde  temos mais de 70.000 umbandistas.

 

Está na hora de deixar as diferenças pessoais, as vaidades, o orgulho e todo sentimento negativo de lado e tentar unir forças para que a nossa religião não seja perseguida e consigamos, definitivamente, cultuar nossos Orixás como deveríamos, além das casas de axé regularizadas, em seus pontos de força, sem joguinhos de vaidade, onde quem perde somos todos nós, Umbandistas praticantes. Há coisa mais importante pra você do que poder receber um axé de um Orixá, seja ele de que nação ou forma de cultuar, este esteja sendo cultuado? Então você não é Umbandista, você pode ser qualquer coisa, menos Umbandista.

 

Me ocorre uma ideia a bastante tempo de termos um órgão regulador, fiscalizador, para que possamos ter credibilidade junto a sociedade que ainda nos trata como seita, mas chego a conclusão de que isso, até seria possível, se as pessoas que estão à frente das federações fossem um pouco mais tolerantes, pois deixaríamos de dividir forças e nos uniríamos em respeito a nossa religião, mas para muitas federações o que importa é a mensalidade que aquele templo, casa, tenda, etc... paga no final do mês.

 

Deixo uma pergunta a todos os dirigentes de federações: Qual o motivo de você liderar uma federação, é para ajudar a sua religião ou para ser famoso? A impressão que tenho e acredito que muita gente compartilha este mesmo sentimento é que é para ser famoso.

 

Não estou dizendo que todos os presidentes de federação são assim, mas que há muitos em nosso meio, e alguns velhos conhecidos nossos, a isso há sim.

 

Desculpem o desabafo.

 

 

Pai Fabio Marques

Sacerdote Umbandista