VOLTA CABOCLO

31/01/2012 19:51

Irmãos, trasncrevo abaixo um texto muito bonito, enviado a mim por uma de nossas irmãs e de autoria do Meu Avô, Pai Ronaldo Linares.

 

Volta Caboclo!!!

PAI RONALDO LINARES.

 

Volta, Caboclo!

 

Vem das tuas verdes matas para o recesso da minha mediunidade sau­dosa dos teus benditos fluídos!

Vem incensar minh'alma com o aro­ma da tua presença querida, fa­zen­do ecoar em meus ouvidos aten­tos, o "quiô" da tua vibração!

Vem trazer-me o calor das tuas pa­lavras fluentes, traduzidas na so­no­­ri­dade das folhas das palmeiras quan­do se espanam no ar...

Quero, contigo, apanhar as fo­lhas da Jurema para adornar todo o meu Juremá...

Cruzar meu caminho com galhos de arruda e enfeitar minha gira com ramos de guiné...

 

volta caboclo!

Vem... Traz o teu arco forte e a tua flecha certeira... 

Vamos, numa só vi­bração, penetrar no seio da mata virgem, procurar o inimigo que lá se esconde e desarmá-lo, à pujança do teu braço forte!

 

Volta, Caboclo!

 

 Coloca em minha fronte o teu belo cocar... e entrosa em mim, tua essência pura de aromá­ticos jardins, contida em tão pequeno frasco!

 

Como podes usar-me, tu, enviado bendito das falanges superiores, para cumprimento da tua missão?

 A que sacrifícios se submete a tua aura, pois, sendo tão grande, consegue incorpo­rar-se num tão diminuto ser!...

 Mesmo sabendo-me o mais insignificante dos teus médiuns, rogo-te, com ânsias deses­peradas na voz e uma saudade torturante em meu coração:

 

volta caboclo!

 "Volta ao teu reino de luz onde impera a verda­deira caridade! Volta ao teu pegi de amor onde te aguar­dam, ansiosos, os teus filhos de fé e o teu mo­desto apa­relho receptor...

As ondas vibráteis da minha me­diu­nidade que­rem voltar a funcionar ao toque das tuas abençoadas mãos... Teu re­gresso será uma festa emo­cio­nal onde as lágrimas mal contidas se confun­di­rão com o sorriso de algu­mas cria­turas que não sabem chorar...

 

Teu ponto riscado iluminado es­tá...

 teu ponto cantado, entoado num só diapasão de voz, te abrirá ao nosso meio, para aconchego dos que reco­nhe­cem em ti, um trabalhador no cam­po sublime da caridade!...

Teu assobio atrairá a atenção da­queles que ainda te crêem em missão no Alto e de pronto, estarás entre nós, numa vibração harmoniosa que a todos envolverá.

 

Volta, Caboclo! Sem ti sou qual ave sem ninho... Pássaro sem asa... Ár­vore sem ramagens... Volta, Ca­boclo... Minha cabana te espera... 

 

A copa dos arvoredos se cobre de flores ao ciclo mágico da primavera... O perfume dos jasmins per­passa pelo ar e o ca­minho do teu re­gresso es­tá se aromati­zando de incenso, mirra e de benjoim...

Curumins alegres - os teus cu­rumins - vesti­dos de branco, irão es­pa­lhando, pela orla do vale, pétalas cheirosas à tua passagem...

Nos cui­tés, haverá a água de coco fresqui­nha, o aluá e o néctar precioso que as abelhas produzem... Vem... Tudo se prepara para tua chegada... 

Os tam­bores sau­darão a tua vinda junto com os aplau­sos daqueles que res­peitam e reco­nhe­cem o valor da tua gira!

 

Volta, Caboclo! Minhas mãos te buscam na sinceridade DESTA súplica onde se patenteia o meu amor por ti e a gratidão ao Médium Supremo por me ter apontado para ser teu peque­nino médium!

 

 Volta, Caboclo... Volta...